Reportagem · Trabalho

Os últimos garimpeiros de ouro do Brasil legal

Por Fernanda Luz · 20 de junho de 2025 · Atualizado em 21 de junho de 2025 · 16 min de leitura

Em Itaituba, no Pará, há uma rua chamada Rua do Ouro. Não é metáfora. Durante décadas, o ouro extraído do garimpo legal da região passou por essa rua — nas mãos dos garimpeiros, nas balanças das ourivesarias, nos cofres dos compradores. Era uma economia inteira construída em torno de um metal que a terra dava e os homens tiravam.

Hoje, a Rua do Ouro ainda existe, mas o garimpo legal encolheu. A legislação ambiental ficou mais rigorosa. Os custos de operação aumentaram. E o garimpo ilegal — que não paga impostos, não respeita áreas protegidas e não se preocupa com mercúrio no rio — tornou a concorrência impossível para quem tenta operar dentro da lei.

O paradoxo do garimpo legal

Há uma ironia cruel no colapso do garimpo legal. As regulações que deveriam proteger o meio ambiente acabaram expulsando os operadores que tinham condições de cumpri-las — e deixando o campo livre para os ilegais, que não cumprem nada. O resultado é mais garimpo, mais destruição ambiental e menos receita para o Estado.

Garimpeiros legais que ainda operam na região descrevem uma burocracia kafkiana. Licenças que demoram anos para ser aprovadas. Fiscalizações que tratam o garimpo legal com a mesma suspeita do ilegal. E a sensação de que o Estado não sabe — ou não quer saber — a diferença entre os dois.

Fernanda Luz

Repórter e viajante. Percorreu mais de 40 mil quilômetros pelo Brasil reportando para o Venda Brasil. Formada em Jornalismo pela UFPA.